domingo, 19 de setembro de 2021

“É questão de tempo para o Brasil se livrar desse estorvo, seja pelo impeachment, seja pelo voto nas urnas”, diz Dino em artigo sobre o golpe fracassado

“Que ninguém se engane: o ato golpista de 7 de Setembro teve método e não foi apenas um desatino de meia dúzia de pessoas”

“O presidente seguirá tentando intimidar o STF, para barrar inquéritos e processos contra os seu familiares e apoiadores, e buscará deslegitimar o Tribunal Superior Eleitoral”

O golpe fracassado

O Brasil viveu, na semana do último dia 7 de Setembro, uma tentativa de golpe, estimulado pelo próprio chefe da nação, e que só não prosperou porque instituições como o Supremo Tribunal Federal barraram os planos e as ações dos golpistas. Formou-se uma verdadeira frente ampla para fazer a contenção institucional dos manifestantes e seus patrocinadores que invadiram a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com ameaças e violência.

Que ninguém se engane: o ato golpista teve método e não foi apenas um desatino de meia dúzia de pessoas. Empresários e caminhoneiros, por exemplo, iniciaram uma paralisação para bloquear rodovias em várias partes do País e se recusaram a deixar a capital federal. Eles não foram adiante com a sabotagem porque Jair Bolsonaro foi obrigado a negociar um recuo, ao divulgar uma carta, escrita pelo ex-presidente Michel Temer, para baixar a temperatura que ele mesmo elevou.

Preferiria estar errado, mas não vejo sinceridade no conteúdo daquela carta divulgada pelo Palácio do Planalto. A mensagem carece de consistência. Espero que se mantenha um clima de trégua pelo maior tempo possível nas próximas semanas — o que é bastante improvável, dado o histórico dos milicianos e fanáticos.

O problema do Brasil é que Bolsonaro é viciado na estratégia de guerra permanente contra as instituições e a sociedade. Para usar a linguagem militar, não há mais separação entre os tempos de paz e os de conflito. Resultado: a população brasileira está pagando um preço altíssimo com os erros na coordenação nacional sobre a pandemia, a volta da inflação, os 14 milhões de desempregados, o aumento no número das pessoas na pobreza, a destruição ambiental e o fraco crescimento da economia.

Em dois ano e oito meses de gestão, o presidente da República jamais apresentou um projeto para resolver os problemas do País. A única preocupação é manter o ambiente político conflagrado à espera das eleições presidenciais de 2022. Até lá, a travessia tende a ser bastante turbulenta, pois o presidente se vê a caminho de uma derrota, manifesta temor de ser preso e mantém uma base radicalizada de apoiadores.

A campanha presidencial deverá ser conflagrada pelo extremismo, puxado pela extrema-direita, que se recusa a seguir as regras democráticas. A situação brasileira de hoje é bastante semelhante à do nazifascismo europeu dos anos 1930. O método, a linguagem e a ideia de eliminação de inimigos são os mesmos, agravando-se tudo com o uso intenso da internet.

O presidente seguirá tentando intimidar o STF, para barrar inquéritos e processos contra os seu familiares e apoiadores, e buscará deslegitimar o Tribunal Superior Eleitoral. Destaco que, mesmo havendo críticas de alguns quanto ao ativismo do Judiciário, até agora o Supremo mais acertou do que errou,

O apoio político ao presidente resume-se atualmente a grupos minoritários na sociedade, em setores como Forças Armadas, Polícias Militares e o agronegócio. Mas não se trata de maioria em tais segmentos. Não poderemos baixar a guarda daqui para a frente, até a posse do próximo presidente em 2023. É temerário não reagir contra aqueles que trabalham abertamente para uma ruptura da democracia, como se viu na tentativa fracassada de 7 de Setembro.

O governo conta ainda com uma base parlamentar considerável no Congresso Nacional, que passou a controlar, de modo inédito, o Orçamento da União e a sua execução. Esse grupo de apoio impede a instauração do processo de impeachment contra o presidente da República. Mas será difícil manter o apoio, em 2022, de senadores e deputados que estão vendo os estragos do desgoverno federal em seus estados, a exemplo da destruição das rodovias federais.

Temos, assim, um paradoxo: lamentamos que tenhamos um presidente antidemocrático e antinacional, mas, ao mesmo tempo, celebramos que o golpe de 7 de Setembro fracassou. Nosso esforço deve ser para que o máximo de setores promova uma união em defesa da Constituição. E que os políticos voltem a cuidar da vida concreta da população, massacrada pelas crises sanitária e socioeconômica. Devemos, por exemplo, cobrar do governo federal medidas efetivas contra a inflação. Chega de tentativa ridícula de transferir responsabilidade aos governadores, em intermináveis bravatas de “cercadinhos”.

Os governadores estão abertos ao diálogo com todos os Poderes do País e os diversos setores da sociedade. Inclusive, pedimos um encontro com o chefe do Executivo Federal, mas nem resposta houve. Graças a Deus, é questão de tempo para o Brasil se livrar desse estorvo, seja pelo impeachment, seja pelo voto nas urnas.


6 comentários:

  1. Governadorzinho mequetrefe e patético, desça do palanque e comece a trabalhar pelo povo, BOLSONARO em 3022 no primeiro turno; pesquisas do datafoice todos já conhecem.

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  2. Não votei em Bolsonaro não gosto dele é muito menos de Lula ladrão são dois lixo mais p nos maranhense tbm é questão e tempo nos livramos desse estrume do governador tbm

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  3. Ainda bem que no Maranhão temos um excelente governador mas os efeitos desse governo desastroso do Bozo é sentido em todo o Brasil.

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  4. O problema desse governador é que ele é Tb um estorvo, assim como os demais políticos.

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  5. Blogueiro comunista, avisa ai pro teu democrata de ataque , que as MANIFESTAÇÕES LEGÍTIMAS , FEITAS POR GENTE DE BEM...FORAM AS MAIORES NO BRASIL... MANIFESTAÇÃO LIVRE e espontânea...fomos e iremos de graça...GOLPE É DE VCS PSEUDOSdemocratas q apoiam as mais insanas ditaduras do mundo...a ESQUERDA É UM COLETIVO DE HIPÓCRITAS.

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