sábado, 1 de outubro de 2016

Criminosos 'aproveitam janela eleitoral', diz Gilmar Mendes sobre violência no Maranhão

  Os ministros Raul Jungmann (Defesa), de capacete vermelho, ao lado de Gilmar Mendes, visitam local de votação incendiado em São Luís (MA), após ataques

ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA

Em visita ao Maranhão neste sábado (1º) após uma onda de ataques a ônibus e locais de votação, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes, afirmou que os criminosos aproveitam uma "janela eleitoral" para tumultuar o processo.

"A população não compactua com essas ações. Estão aproveitando essa janela eleitoral para contaminar todo o ambiente", declarou Mendes, em entrevista à imprensa.

Durante a madrugada, pelo menos sete escolas onde haveria votação foram incendiadas ou depredadas no Maranhão. Parte das seções eleitorais será transferida a outros locais.

Segundo o governo estadual, os ataques são ordenados de dentro dos presídios maranhenses.

As urnas eleitorais foram entregues sob forte escolta policial, neste sábado. Além disso, o governo reforçou a segurança no Estado: além dos 7.500 policiais estaduais, 1.300 homens das Forças Armadas e da Força Nacional protegerão os locais de votação.

Além de Mendes, também esteve em São Luís o ministro da Defesa, Raul Jungmann. Eles visitaram uma das escolas atacadas, manifestaram solidariedade ao governo estadual e incentivaram a população a ir às urnas no domingo (2).

"Houve reforço na segurança para garantir eleições", declarou Jungmann.

Na mesma entrevista, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), pediu à população que não dê ouvidos a boatos. "Eleição não pode ser um vale-tudo. Há uma estratégia das organizações criminosas por trás disso", afirmou.

PRESÍDIOS

Na avaliação do governo do Maranhão, os ataques são uma reação a mudanças na gestão penitenciária.

Em mensagem divulgada neste sábado, o governador atribui a violência a "organizações criminosas [que] querem amedrontar a sociedade para tentar retomar privilégios que tiveram no passado".

A recente onda de violência começou com uma rebelião no complexo penitenciário de Pedrinhas, no último sábado (24) –local que ficou marcado pela série de decapitações ordenadas por facções criminosas dentro de seus muros, em 2014.

Desde então, ônibus têm sido incendiados em São Luís e região. Na noite desta sexta (30), pelo menos cinco ônibus foram queimados. Um dia antes, três escolas municipais foram atacadas. Não houve mortos ou feridos até agora.

Forças estaduais de segurança anunciaram operações especiais neste fim de semana, como revistas nos presídios e policiamento ostensivo para evitar ataques contra urnas eletrônicas.

O governo do Maranhão disse ter identificado 35 detentos como os mentores dos ataques. Na manhã deste sábado, 23 deles foram transferidos a um presídio federal de segurança máxima, em Mossoró (RN).

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