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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Após encontro com Temer, Gilmar Mendes ataca Janot; entidade de procuradores vê 'furor mal contido' em 'ataques'

Ministro do Supremo Tribunal Federal afirmou que Janot é o procurador-geral 'mais desqualificado da história'. Associação dos Procuradores da República classificou declaração como 'deplorável'.

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) afirmou nesta segunda-feira (7), por meio de nota, que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez "ataques em termos pessoais” ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em entrevista à Rádio Gaúcha.

No comunicado, a entidade disse que o magistrado "ignora respeito que tem de existir entre as instituições" e apontou um "furor mal contido" do ministro.

Nesta segunda, Gilmar Mendes classificou Janot de procurador-geral da República mais "desqualificado da história" da instituição. Na avaliação do ministro do STF – que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – o chefe do Ministério Público Federal não tem "preparo jurídico nem emocional".

"Quanto a Janot, eu o considero o procurador-geral mais desqualificado que já passou pela história da Procuradoria. Porque ele não tem condições, na verdade não tem preparo jurídico nem emocional para dirigir algum órgão dessa importância", avaliou o ministro em entrevista à Rádio Gaúcha.

A assessoria da Procuradoria Geral da República (PGR) informou que Janot não irá se manifestar.

Na nota divulgada em defesa do procurador-geral, a ANPR ressaltou que “é deplorável que um magistrado, membro da mais alta corte do país, esqueça reiteradamente de sua posição para tomar posições políticas e ignore o respeito que tem de existe entre as instituições”.

“Não é o comportamento digno que se esperaria de uma autoridade da República. O furor mal contido nas declarações de Gilmar Mendes revela objetivos e opiniões pessoais (além de descabidas), e não cuidado com o interesse público”, diz outro techo do comunicado.

A associação dos procuradores da República destacou que Janot foi eleito pela categoria em dois mandatos consecutivos. “Isso a demonstrar o apoio interno e externo que teve, mercê de seu preparo técnico, liderança e história no Ministério Público Federal”, enfatizou o texto.

Encontro com Temer

Na noite de domingo (6), Michel Temer recebeu Gilmar Mendes no Palácio do Jaburu. O encontro não constava na agenda do presidente, mas sim na do ministro. Porém, não mencionava o tema que seria tratado. A informação é da colunista do G1 Andréia Sadi.

O ministro da Secretaria-Geral, Moreira Franco (PMDB-RJ) também esteve no local.

Questionado pelo Blog, Gilmar Mendes afirmou que o assunto tratado foi a reforma política. Ele disse que não entrou em discussão o tema Lava Jato.
Ele também falou sobre o encontro à Rádio Gaúcha. "O presidente não precisa se preocupar em colocar ninguém na agenda, ele recebe várias pessoas. Criaram essa psicose em torno dos encontros com o presidente da República, isso é uma bobagem", disse.

Nota da ANPR
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela ANPR:

Procuradores da República repudiam ataques pessoais a Rodrigo Janot

Brasília (07/08/2017) - Representante de 1.300 membros do Ministério Público Federal, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) vem a público repudiar os ataques absolutamente sem base e pessoais ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, proferidos em deliberada série de declarações, nos últimos dias, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes.

Em primeiro lugar, e desde logo, é deplorável que um Magistrado, Membro da mais alta Corte do País, esqueça reiteradamente de sua posição para tomar posições políticas (muito próximas da política partidária) e ignore o respeito que tem de existir entre as instituições, para atacar em termos pessoais o Chefe do Ministério Público Federal. Não é o comportamento digno que se esperaria de uma autoridade da República. O furor mal contido nas declarações de Gilmar Mendes revela objetivos e opiniões pessoais (além de descabidas), e não cuidado com o interesse público.

Rodrigo Janot foi duas vezes nomeado para o cargo de PGR depois de escolhido em Lista Tríplice pelos seus pares, a última delas com consagradora votação de quase 80% de sua classe. Em ambas as indicações foi aprovado pelo Senado Federal por larga margem, tudo isso a demonstrar o apoio interno e externo que teve, mercê de seu preparo técnico, liderança e história no Ministério Público Federal. O trabalho do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, nestes quase quatro anos de mandato, por outro lado, foi sempre impessoal, objetivo, intimorato e de qualidade. Não por outro motivo tem o apoio da população brasileira.

O Ministério Público não age para perseguir ninguém, e não tem agendas que não o cumprimento de sua missão constitucional. Tampouco, todavia, teme ou hesita o MPF em desagradar quem quer que seja, quando trabalha para o cumprimento da lei e promove a justiça.

O Procurador-Geral da República assim tem agido em todas as esferas de sua competência, promovendo o combate à corrupção e liderando o Ministério Público Federal na complexa tarefa de defender a sociedade. Se isto incomoda a alguns, que assim seja. O MPF e suas lideranças jamais se intimidarão. Estamos em uma República, e ninguém nela está acima da Lei.

Com informações do G1

Um comentário:

  1. Sua excelência o ministro Gilmar Mendes já deveria ter sido aposentado compulsoriamente há décadas. Sua atuação no STF e no TSE são questionáveis e merecem investigação rigorosa. Marcelo, do São Cristóvão.

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