quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mulher tem pernas fraturadas em acidente na Estrada da Maioba


Um acidente na Estrada da Maioba, nas proximidades do condomínio conhecido como Forquilhão, deixou Ericarla Silva gravemente ferida. A vítima estava na garupa de uma moto que foi atingida por um veículo de placa NWY-3190, conduzido por uma senhora identificada como Lúcia. Esse acidente aconteceu por volta das 7h30 da manhã desta quarta-feira. Pelas informações dos socorristas do Samu, Ericarla teve fraturas nas duas pernas.


Segundo informações de testemunhas, o veículo saia de uma rua transversal para entrar na Estrada da Maioba, sem observar o tráfego. O condutor da motocicleta, identificado como Márcio, não teve tempo de evitar a batida.

Por conta desse acidente, formou-se um grande engarrafamento na Estrada da Maioba, chegando até a rotatória da Forquilha. O acidente atraiu a atenção de muitas pessoas que trabalham ou residem nas proximidades do local.


As imagens desta postagem foram registradas por Américo, leitor do blog e ouvinte do programa “Comando da Noite”, da Rádio Capital AM.

Ex-deputado de Alagoas assume cargo em delegacia com tornozeleira eletrônica


Francisco Tenório é acusado de ser mandante de assassinatos em Maceió.
Ex-deputado será delegado-adjunto de Delegacia de Acidentes de Trânsito.

Rosanne D'Agostino
Do G1, em São Paulo

O ex-deputado federal Francisco Tenório (PMN-AL) voltou a trabalhar nesta quarta-feira (29) em Maceió como delegado-adjunto usando uma tornozeleira para monitoramento eletrônico de presos em liberdade provisória. Ele responde a processo por homicídio e obteve liberdade no último dia 16.

Segundo a Polícia Civil de Alagoas, o ex-deputado vai trabalhar na Delegacia de Acidentes de Trânsito, conforme determinação do diretor metropolitano da Polícia Civil, Arnaldo Soares. A portaria de designação ao cargo foi publicada nesta quarta no Diário Oficial do estado.

Em razão da tornozeleira, Tenório não tem permissão para deixar a capital alagoana e tem de se recolher ao local onde mora todos os dias antes das 20h.

A cúpula do órgão entendeu que seria uma delegacia neutra, depois que pessoas próximas ao ex-deputado informaram que ele correria risco caso voltasse para um distrito policial, informou a assessoria de imprensa da Polícia Civil.

O G1 entrou em contato com a delegacia. O escrivão de plantão informou que Tenório compareceu nesta quarta e se apresentou ao delegado titular, Fernando Tenório, mas que já havia ido embora e não concederia entrevista.

Habeas corpus

O advogado Fábio Gomes, que representa o ex-deputado, afirmou ao G1 que ainda nesta semana deve entrar com novo habeas corpus para que a obrigatoriedade da tornozeleira também seja revogada. “Ele é réu primário, compareceu a todos os atos do processo, não tinha sequer requisitos para estar em prisão preventiva, isso é desproporcional”, afirmou.

Sobre os dois processos a que ele responde por homicício, o advogado afirma que seu cliente “nega veementemente as acusações”. “Não existe nada contra ele. Tanto que denúncias tramitaram no STF [Supremo Tribunal Federal] enquanto ele exerceu o cargo e nunca foi proposta ação penal contra ele. Não há indício nenhum de provas. As denúncias dos dois processos são baseadas em depoimentos de pessoas que foram presas por ele durante o tempo em que ele era delegado”, completou.

Acusações

Tenório foi preso em fevereiro de 2011 em Brasília, acusado de ser o mandante de dois assassinatos. Um ocorrido em Maceió em 1996, em que é acusado de ser o mandante da morte do cabo José Gonçalves, e outro em 2005, o assassinato de Cícero Sales Belém. O MP afirma que o cabo trabalhava para Tenório, que atuava como delegado à época e que Cícero teria sido morto em uma "queima de arquivo".

De acordo com a decisão da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, que concedeu a liberdade provisória, o ex-deputado precisa cumprir exigências enquanto permanece em liberdade monitorada: comparecer mensalmente ao juiz todo o 1º dia útil para informar e justificar sua atividades.

Também está proibido de circular em local onde residam familiares da vítima, para evitar qualquer situação de embaraço e de ausentar-se da Comarca de Maceió, sem prévio aviso e a devida autorização judicial. É obrigado a permanecer em sua casa no período noturno das 20h até 6h.

Menor é assassinado com seis tiros nas proximidades do Terminal do São Cristóvão


O menor Diego dos Santos Cruz, de 16 anos, foi assassinado com cerca de seis tiros, na Rua Cônego Ribamar Carvalho, nas proximidades do Terminal de Integração, no Jardim São Cristóvão. A vítima residia na Rua da Paloma, quadra 391, casa 15, na Cidade Olímpica.


A polícia não tem pistas dos executores, mas acredita que o crime pode ter sido um acerto de contas por não pagamento de dívidas com traficantes. O crime aconteceu por volta das 22h de ontem, terça-feira, 28, e chamou a atenção de muitos moradores do Jardim São Cristóvão.

Com mais esse crime, segundo registros do IML, o mês de fevereiro está fechando com um saldo de 50 homicídios na grande São Luís. Segundo o Cel. Jefferson Telles, comandante do Policiamento Metropolitano, a maioria está relacionada a acertos de contas entre traficantes e usuários de drogas.

"A polícia tem feito o seu papel no combate à criminalidade. Diariamente, estamos anunciando a desarticulação de algumas quadrilhas e prisões de elementos envolvidos em crimes. O problema é que, em pouco tempo, muitos deles estão de volta às ruas. Precisamos da colaboração da Justiça para manter essas pessoas presas. Em alguns casos, quando efetuamos algumas prisões, constamos que alguns já têm diversas passagens por delegacias", diz o cel. Jefferson.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

CNJ deve punir juízes 'vagabundos', diz corregedora


Eliana Calmon, a mesma que falou dos 'bandidos de toga', defendeu no Senado a retomada das investigações para proteger os magistrados sérios

O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – A corregedora-nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, afirmou nesta terça-feira, 28, que é preciso expor as mazelas do Judiciário e punir juízes “vagabundos” para proteger os magistrados honestos que, ela ressaltou, são a maioria.

“Faço isso em prol da magistratura séria e decente e que não pode ser confundida com meia dúzia de vagabundos que estão infiltrados na magistratura”, disse em sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, para discutir a proposta de emenda constitucional que amplia e reforça os poderes correcionais do CNJ.

No ano passado, declarações da ministra de que a magistratura brasileira enfrentava "gravíssimos problemas de infiltração de bandidos, escondidos atrás da toga" gerou crise entre o Judiciário e o CNJ. Na ocasião, Eliana Calmon defendia o poder de o órgão investigar magistrados supeitos de cometer irregularidades.

Nessa terça, a ministra afirmou ser necessário retomar a investigação que começou a ser feita no ano passado nos tribunais de Justiça para coibir pagamentos elevados e suspeitos a desembargadores e servidores. A investigação iniciada pelo CNJ no tribunal de Justiça de São Paulo e que seria estendida a outros 21 tribunais foi interrompida por uma liminar concedida no último dia do ano judiciário pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski. O processo hoje está sob relatoria do ministro Luiz Fux e não há prazo para que seja julgado.

Prefeitos buscam apoio para pagar parte dos gastos com piso do magistério


Marcos Chagas

Prefeitos de todo o país estão hoje (28) em Brasília para buscar apoio parlamentar e tentar um acordo com o governo federal que permita cobrir parte dos gastos que os municípios terão com o pagamento do Piso Nacional do Magistério e a revisão da lei pelo Parlamento. O Ministério da Educação definiu em R$ 1.451 o valor do piso para 2012, um aumento de 22,22% em relação a 2011.

Outra pauta prioritária da agenda é a retomada imediata, pelo Congresso, da distribuição igualitária entre estados e municípios dos royalties do petróleo extraído da camada pré-sal.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, disse que ainda hoje os prefeitos terão encontro com os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Eles vão se reunir durante todo o dia no Auditório Petrônio Portella, no Senado.

"Nós esperamos contar também com o apoio dos governadores, mas quem está articulando isso é o André Puccinelli [governador de Mato Grosso]", acrescentou o presidente da CNM.

Segundo ele, só o impacto financeiro no cofre das prefeituras com a adoção dos novos salários dos professores será R$ 7 bilhões, se considerados também os gastos com os inativos. "Sem a efetiva participação da União", disse Ziulkoski, o piso vai desequilibrar as contas.

De acordo com o presidente da CNM, o contingenciamento de recursos orçamentários pela União agrava ainda mais a situação financeira das prefeituras. Ele ressaltou que, por se tratar de ano eleitoral, todas as obras terão que estar em andamento ou com os recursos do orçamento devidamente empenhados.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Caos toma conta de ruas e avenidas do Coroadinho, Bom Jesus, Primavera e Parque Timbira. Moradores estão revoltados com a administração Castelo


Os bairros que integram o pólo Coroadinho, em São Luís, sofrem com a falta de infra-estrutura. Revoltados com o estado de abandono das ruas, moradores têm feito diversos protestos para chamar a atenção da Prefeitura de São Luís. Na tarde de domingo, 26, o principal acesso ao bairro Primavera foi interditado com galhos de árvores. 

“Já não aguentamos tanto descaso da Prefeitura. Só existem promessas, mas até hoje nada foi feito para tirar o povo da lama. Os ônibus que circulam nessa região quase não conseguem trafegar pelas principais ruas. Isso é uma irresponsabilidade da administração do prefeito João Castelo”, diz Araújo, uma das lideranças do Coroadinho.



A buraqueira toma conta de todas as principais avenidas e ruas. O problema se espalha pela Avenida Amália Saldanha e pelas ruas da Vitória, da Mangueira, do Arame, Epitácio Cafeteira, além do acesso ao Parque Timbira. As fotos desta postagem mostram o caos que toma conta de toda a região do pólo Coroadinho.


Esse problema tende a se agravar com o período chuvoso, com alguns trechos chegando a ser interditados. “O mais lamentável é que a Prefeitura teve um longo tempo para resolver esses problemas, mas terminou abandonando tudo. Acho que o problema não seja nem do Secretário Marco Aurélio, mas da deputada Gardênia Castelo, filha do Prefeito. Dizem que ela comanda todas as secretarias. Secretário nenhum tem autonomia. Até parece que ela é que é a Prefeita”, diz o líder comunitário Araújo.




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Beneficiários da impunidade: Falhas e omissões atrasam processos contra políticos, aponta levantamento


No Maranhão, Zé Vieira pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, sendo impedido de disputa a Prefeitura

RUBENS VALENTE, FERNANDO MELLO e FELIPE SELIGMAN
FOLHA DE S. PAULO/DE BRASÍLIA

Inquéritos que tiveram políticos brasileiros como alvo nos últimos anos demoraram mais tempo do que o normal para chegar a uma conclusão, e processos abertos pelo Supremo Tribunal Federal contra eles se arrastam há mais de dez anos sem definição, de acordo com um levantamento inédito feito pela Folha.

O levantamento em 258 processos mostra que, além da grande quantidade de recursos prevista na legislação, os atrasos são provocados por falhas de juízes, procuradores e policiais.

Em média, a Polícia Federal leva pouco mais de um ano para concluir uma investigação. Já os inquéritos analisados pela Folha que já foram encerrados consumiram o dobro de tempo.
Documentos com a íntegra destes 258 processos estão disponíveis na página da "Folha Transparência", conjunto de iniciativas do jornal para divulgar informações de interesse público mantidas sob controle do Estado. Os primeiros 21 processos já estão no ar.
Durante quatro meses, a Folha analisou processos que envolvem políticos e estão em andamento no STF ou foram arquivados pela corte recentemente, incluindo inquéritos ainda sem desfecho e ações penais à espera de julgamento.

Os processos envolvem 166 políticos que só podem ser investigados e processados no Supremo, um privilégio garantido pela Constituição ao presidente da República e seu vice, a deputados federais, senadores e outras autoridades.

O senso comum sugere que esse tipo de coisa acontece porque os políticos têm condições de pagar bons advogados para defendê-los na Justiça, mas a análise dos processos mostra que em muitos casos as investigações simplesmente não andam, ou são arquivadas sem aprofundamento.

Só dois casos do conjunto analisado pelo jornal estão prontos para ir a julgamento.

DA REVISTA ÉPOCA: A gula do cartel da merenda. Esquema de corrupção abrange São Luís


Uma investigação mostra como empresas e políticos lucraram com a corrupção no fornecimento de comida a escolas – e como as crianças passaram a comer menos e pior

LEANDRO LOYOLA
 

Um prato com arroz, feijão, pedaços de carne ou frango e um legume, combinado com uma fruta e um suco. É a rotina de milhões de estudantes de escolas públicas. Para as crianças, a merenda é uma refeição importante do dia. Após quatro anos de investigação, o Ministério Público do Estado de São Paulo afirma que esse pequeno prato tem um valor igualmente imenso – mas de outra natureza – para uma organização criminosa que funcionou nos últimos dez anos em 57 cidades do Estado de São Paulo. Seis fornecedoras de merenda são acusadas de superfaturar contratos – e políticos e funcionários públicos, de receber propinas.

Essas empresas são acusadas de, para obter lucro, cobrar caro e, em muitas ocasiões, servir aos alunos comida de pior qualidade. De acordo com as acusações, ofereciam alimentos mais baratos, como cubos de carne de frango, em vez de coxa e antecoxa. Os legumes, que deveriam ser cortados frescos, já chegavam picados. Em São Paulo, o contrato com a prefeitura especificava o fornecimento de maçã “tipo A”. Mas a maçã fornecida era do “tipo C”, de pior qualidade. As merendeiras eram orientadas a servir porções menores. Enquanto o contrato mandava servir uma maçã de sobremesa, as escolas paulistanas serviam meia.

As empresas acusadas são: SP Alimentação, Nutriplus, Geraldo J. Coan, De Nadai/Convida, Sistal e Terra Azul. Elas serão denunciadas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo por formação de cartel – prática em que há um acerto para combinar preços e estratégias –, fraude a licitações, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. De acordo com a investigação dos promotores Sílvio Antonio Marques e Arthur Pinto de Lemos Júnior, as empresas renunciaram à concorrência, combinaram o jogo e passaram a ganhar contratos superfaturados, pagando propina a prefeitos e a secretários municipais.

Segundo a ação, as empresas podem ter distribuído até R$ 400 milhões em propina. Isso equivale a 10% do que faturaram – o negócio de merendas movimentou cerca de R$ 4 bilhões. “Trata-se de um cartel que ajudou prefeitos e secretários no desvio de uma enorme quantidade de dinheiro público”, afirma o promotor Marques. “Esse cartel não só provocou um enorme prejuízo aos cofres públicos, como também prejudicou milhões de crianças, que receberam durante vários anos refeições de péssima qualidade.” O promotor Arthur Lemos preferiu não se manifestar.

A investigação ganhou corpo ao encontrar uma testemunha-chave: Genivaldo dos Santos, ex-sócio da Verdurama, uma das empresas do grupo SP Alimentação, um dos maiores no país no ramo de merenda. Entre 2002 e 2008, Genivaldo participou do esquema de fraude de concorrências e ajudou a subornar políticos e funcionários públicos. Em 2010, ele assinou um acordo de delação premiada com o Ministério Público (MP). Desde então, deu mais de 30 depoimentos, em que contou como eram feitos os acordos, revelou o nome dos envolvidos e deu detalhes dos negócios ilícitos.

Com cerca de 2 milhões de refeições servidas por dia, a prefeitura de São Paulo é o maior cliente do país de merenda escolar. Segundo Genivaldo, as empresas do cartel, entre 2001 e 2011, pagaram sistematicamente propinas a funcionários da prefeitura de São Paulo durante as administrações de Marta Suplicy (2001-2005), José Serra (2005-2006) e Gilberto Kassab (a partir de 2006). As empresas começaram a fornecer merenda à prefeitura durante a gestão Marta. Até ali, era a prefeitura que comprava alimentos – e as merendeiras preparavam a comida. A gestão Marta passou a comprar das empresas 30% da merenda servida nas escolas. Por economizar gastos, a terceirização é considerada uma boa medida. O problema em São Paulo é que ela veio acompanhada da corrupção.

Segundo a investigação do MP, o grupo formado pelas empresas SP Alimentação, Geraldo J. Coan, De Nadai e Nutriplus pagava propina de 7% dos valores dos contratos a integrantes da gestão Marta. Os promotores obtiveram amostras disso a partir de uma operação de busca e apreensão realizada, em julho de 2010, na casa de Sílvio Marques (homônimo de um dos promotores que investigam o caso). Funcionário da SP Alimentação, Marques era encarregado da parte financeira do esquema de corrupção. Para sorte da Justiça – e azar dos envolvidos –, ele mantinha os registros dos negócios sujos em pen drives. Confrontado com os testemunhos de Genivaldo, o acervo eletrônico de Marques deu feições mais nítidas ao esquema. Entre os dados está uma planilha com a contribuição de cada empresa do cartel para o pagamento de propina à Secretaria Municipal de Abastecimento de São Paulo, entre agosto de 2003 e fevereiro de 2004 (leia a reprodução abaixo). Segundo o documento, a SP Alimentação pagou R$ 321 mil; a Geraldo J. Coan, R$ 348 mil; a De Nadai, R$ 292 mil; e a Nutriplus, R$ 241 mil.

De acordo com a investigação, um dos que recebiam os valores era Valdemir Garreta, petista que atuou como secretário de Comunicação e de Abastecimento da gestão Marta Suplicy. Garreta teve atuação de destaque nas campanhas eleitorais de Marta. Consultor de comunicação, ele atuou na campanha do presidente do Peru, Ollanta Humala, ao lado de Luis Favre, ex-marido de Marta. Garreta é sócio de três empresas de comunicação e de uma de negócios imobiliários. Num dos documentos, consta a propina que Genivaldo diz ter sido paga a Garreta. Segundo a planilha, entre 1o e 15 de março de 2005, Garreta recebeu R$ 61.700 da SP Alimentação, R$ 69.800 da Coan, R$ 56.200 da De Nadai/Convida e R$ 54.400 da Nutriplus. Total: R$ 242 mil. Em outro documento, consta que, entre fevereiro e junho de 2005, a SP Alimentação pagou R$ 524 mil a Garreta. “As duas vezes em que meu nome foi citado foram pessoas que ‘ouviram falar’”, diz Garreta. Em dezembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Valdemir Garreta.

Segundo Genivaldo disse aos promotores, o responsável por entregar a propina a Garreta era Eloizo Durães, o presidente da SP Alimentação. Mas havia traições no grupo. Segundo a investigação, a propina que chegava às mãos dos destinatários equivalia, na verdade, a 5% do valor do contrato – não a 7%. Eloizo é acusado de embolsar a diferença de 2 pontos percentuais. A investigação sustenta que os companheiros de Durães descobriram o desvio, e, em 2005, o dinheiro passou a ser entregue por um diretor da De Nadai/Convida. Não é a primeira vez que Durães é acusado de pagar propina. Em 2010, ele foi preso sob a acusação de subornar dois vereadores de Limeira. Eles receberam R$ 175 mil para frear uma investigação sobre o contrato de R$ 56 milhões entre a SP Alimentação e a prefeitura.

Em 2006, a prefeitura de São Paulo fez nova concorrência para escolher os fornecedores de merenda escolar. A cidade foi dividida em seis lotes. Cada lote foi vencido por uma das seis empresas acusadas de formar o cartel. Em depoimento, a procuradora do município de São Paulo, Ana Lúcia Marino Rosso, afirmou que a divisão da cidade em seis áreas foi feita sem “nenhum fundamento técnico”. Segundo ela, o formato foi decidido pela coordenadora de licitações da prefeitura, Erika Oliver. Meses após o leilão, Erika e seu subordinado Sérgio Ramos foram contratados pela SP Alimentação, uma das vencedoras da concorrência. Segundo Genivaldo, os preços, a divisão dos lotes e a estratégia para os leilões foram acertados pelas empresas em hotéis.

Na gestão de José Serra, segundo disse Genivaldo, o sistema de pagamento de propina mudou. Em vez de uma quantia proporcional aos valores dos contratos, foi fixado um valor mensal de R$ 600 mil. Todos os meses, no dia 10, cada uma das seis empresas fornecia R$ 100 mil, entregues a um representante da prefeitura no escritório da Nutriplus, em São Paulo. No dia 3 de abril de 2010, Genivaldo encontrou-se com Marques numa padaria na Zona Oeste de São Paulo. A conversa foi gravada em áudio e vídeo. Nela, Marques diz a Genivaldo que a propina era paga ao secretário municipal de Abastecimento, Januário Montone. Segundo Genivaldo, Montone recebeu R$ 50 mil no dia 3 de agosto de 2007 e outros R$ 50 mil 20 dias depois. Um dos pagamentos foi anotado num papel timbrado da SP Alimentação (leia a reprodução abaixo). Em dezembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Montone. Ele nega ter recebido pagamentos. “Confio na decisão da Justiça, não podendo, contudo, me manifestar sobre fatos que ainda estão sob apreciação”, afirmou Montone, por meio de uma nota.

Genivaldo e o meticuloso Marques anotavam, em folhas de “memorando interno”, com o timbre da SP Alimentação, a data, o destinatário e a quantia a ser paga em propina. Em vários deles está escrito “Semab”, abreviatura para Secretaria Municipal de Abastecimento de São Paulo. Os promotores concluíram que todos os códigos “S” nas planilhas de caixa dois da SP Alimentação se referem a propina. A sigla “S2” se refere à propina paga à Semab. Há, ainda, tabelas de controle de propina a diversas prefeituras.

A primeira parte do esquema de corrupção do cartel consistia em convencer prefeitos de outras cidades a adotar a terceirização. Isso era feito mediante contribuições a campanhas eleitorais s ou com a ajuda de lobistas. Em Jandira, cidade de cerca de 100 mil habitantes na Grande São Paulo, o grupo SP Alimentação deu dinheiro à campanha a prefeito do candidato Paulo Bururu (PT), em 2000. Quarenta e três dias depois de eleito, Bururu contratou as empresas do cartel. Genivaldo contou que, em 2005, procurou Bururu a pedido de Durães e ofereceu R$ 150 mil em dinheiro para que ele adotasse a terceirização da merenda. Para justificar a medida, Bururu encomendou a um prestador de serviços do grupo SP Alimentação – Olavo Ozzetti – uma avaliação da merenda da prefeitura. Ozzetti concluiu que a comida era de má qualidade, preparada sem higiene e cara. “É certo que as conclusões do indigitado ‘relatório’ refletiriam uma realidade distorcida, aquela pretendida pela empresa”, afirmam os promotores.

O acerto no cartel era que a empresa que convencesse o prefeito venceria a licitação – as outras só fingiriam concorrer, para dar a impressão de que o processo fora legal. A prefeitura de Jandira adotou a terceirização e fez uma concorrência. A SP Alimentação ficou em 5º lugar. Foi escolhida porque as quatro primeiras classificadas desistiram. De acordo com Genivaldo, Bururu recebeu da SP Alimentação três parcelas de R$ 50 mil por isso, entregues em seu carro, num posto de gasolina. O MP apreendeu na casa de Marques um memorando de 2007 que detalha esses pagamentos a Bururu. Bururu nega as acusações. Numa ação por improbidade administrativa, o MP afirma que Bururu “adquiriu ou manteve bens incompatíveis com seus rendimentos”. O MP localizou 17 imóveis dele. Em dezembro de 2011, a Justiça decretou o bloqueio de seus bens.

O deputado federal Abelardo Camarinha (PSB-SP) foi três vezes prefeito de Marília, cidade de 200 mil habitantes do interior de São Paulo. Na investigação, ele é citado como beneficiário de metade da propina de 10% paga pela SP Alimentação. O valor era dividido entre Camarinha e o prefeito Mário Bulgareli (PDT), segundo Genivaldo. A propina atribuída a Camarinha era de R$ 50 mil mensais. O promotor Isauro Pigozzi Filho cruzou os dados das planilhas de Marques com os pagamentos feitos pela prefeitura. “Os dados bateram”, diz. “O rapaz que fez a delação premiada falou de 2005, quando eu não era mais prefeito”, afirma Camarinha. Ele responde a quatro processos e oito inquéritos no Supremo Tribunal Federal. No fim do ano passado, a Justiça bloqueou os bens de Camarinha e Bulgareli.

Os promotores também encontraram rastros de corrupção no Paraná, no Rio Grande do Sul, no Maranhão e em Minas Gerais. Na casa do diretor financeiro da SP Alimentação, Antônio Marques Franco, os promotores apreenderam comprovantes de depósitos bancários. Entre os papéis estava um depósito de R$ 15 mil na conta de Adalberto Baka e outro, de R$ 30 mil, na conta de Alda Baka. São dois irmãos de José Baka Filho, prefeito de Paranaguá, no Paraná. Alda trabalhou na prefeitura de Jaguariúna, em São Paulo. As duas cidades mantinham contratos com a SP Alimentação. Alda e Adalberto disseram ao MP que o dinheiro veio de uma herança. Mas não souberam explicar o que a SP Alimentação tinha a ver com isso.

A SP Alimentação e Eloizo Durães não quiseram falar sobre a investigação. A SP Alimentação disse que “não participou de qualquer processo fraudulento para licitação ou manutenção de contratos”. A Nutriplus afirmou que “qualquer um de seus representantes jamais esteve em reuniões com as demais empresas do setor com a finalidade de fraudar qualquer licitação”. O advogado Antonio Carlos Dueñas disse que a Terra Azul “não participou de reuniões para combinar nada”. Representantes da Geraldo J. Coan e da Sistal não foram localizados para comentar o assunto. A De Nadai não respondeu ao pedido de entrevista. No ano passado, numa festa, Sérgio De Nadai, sócio da De Nadai/Convida, deu entrevista a um programa de celebridades. Disse que desistira de negócios com governos, por ter levado calotes.

Na década de 1970, na persona de seu eterno personagem Didi Mocó, o humorista Renato Aragão gostava, nos episódios de Os trapalhões, de fazer pilhéria com o colega Mussum. “Mussum só ia à escola para comer merenda”, dizia Didi. Há mais de 40 anos, milhões de crianças brasileiras são alimentadas pela merenda escolar. A corrupção é inaceitável em qualquer lugar. Mas ganha contornos mais cruéis quando, além de roubar dinheiro público, empresas e políticos proporcionam comida ruim ou em quantidade insuficiente para crianças.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Juraci Vieira é sepultado no cemitério Jardim da Paz. Veja imagens


O radialista Juraci Vieira, que morreu na tarde de quinta-feira, vítima de um enfarte, foi sepultado à 17h desta sexta-feira no cemitério Jardim da Paz, na estrada de Ribamar. Diversos radialistas, jornalistas, familiares e centenas de amigos e admiradores acompanharam o cortejo fúnebre.

Entre os políticos que foram prestar a última homenagem ao locutor esportivo, estava o ex-deputado Roberto Rocha, proprietário da Rádio Capital, onde Juraci Vieira comandava a equipe de esportes.

Os familiares fizeram questão de enterrá-lo com o caixão coberto com uma bandeira do Botafogo e uma camisa do Maranhão Atlético Clube.

Confira algumas fotos do sepultamento, enviadas ao blog pelo leitor identificado como Américo, ouvinte do programa “Comando da Noite “, da Rádio Capital AM.












A imprensa e os negócios da política


Por Luciano Martins Costa
Observatório da Imprensa

Reportagem publicada na edição de sexta-feira (24/2) do Estado de S.Paulo revela um esquema de formação de vereadores pela internet que exemplifica claramente a crise de representatividade do sistema político brasileiro. De acordo com o texto, é possível comprar por menos de 20 reais, pela internet, pacotes de propostas legislativas de qualquer tipo, além de modelos para a criação de casas de cultura, turismo, ouvidoria e orientação sobre normas urbanísticas, leis de ocupação do solo e editais em geral. Assim o candidato pode se apresentar ao eleitorado munido de “ideias” convincentes, adaptadas à realidade local.

O serviço de assessoramento para quem ambiciona um posto bem remunerado, com muitas mordomias, prestígio e direito a aposentadoria, nada tem de ilegal. Trata-se de um sistema que oferece obviedades capazes de transformar em indivíduo clarividente o mais tosco dos candidatos, como projetos completos para bibliotecas públicas ou cursos sobre os fundamentos da legislação orçamentária.

De quebra, o freguês pode adquirir também discursos prontos, adaptados ao linguajar regional, e cursos completos sobre como falar em público.

Toma lá, dá cá

Os empreendimentos citados são legais, e seus responsáveis, entrevistados pelo jornal, apresentam razões que não aparentam esbarrar em ilegalidades. Mas essa é apenas uma ponta do sistema. A realidade nos municípios envolve esquemas menos inocentes, como grupos de assessoria vinculados a empresas controladas por políticos e até mesmo por chefes do crime organizado.

Em municípios ao sul e a oeste da capital paulista, por exemplo, já foram identificados pela polícia vereadores ligados ao grupo conhecido como Primeiro Comando da Capital. Uma de suas associações permitiu a um operador do crime organizado se tornar sócio de dezenas de postos de gasolina, que a polícia acredita ser parte de um sistema de lavagem de dinheiro.

No Rio de Janeiro, o noticiário esparso, principalmente veiculado pelo jornal O Globo, tem dado conta das relações entre políticos e chefes de milícias, que ocupam os lugares e o poder deixado para trás pelos narcotraficantes acossados pelas forças de segurança.

Com base nesse esquema são eleitos vereadores e deputados, que em contrapartida garantem às quadrilhas a exploração de serviços como o transporte público ou a distribuição de gás.

Partidos pragmáticos

Também está no Estadão de sexta-feira uma reportagem informando que um grupo de oito partidos (PMDB, PSDB, DEM, PP, PR, PTB, PPS e PMN) está atuando para bloquear o crescimento do PSD, partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para ser, segundo ele mesmo, uma representação sem coloração ideológica.

Com a “vantagem” de não ser, como o define Kassab, nem de esquerda, nem de direita, e muito menos de centro, a nova sigla já nasce com a vocação para amplos negócios, podendo sem qualquer impedimento estatutário grudar-se ao poder em todas as instâncias.

Esse pragmatismo sem tintura ideológica definida é o retrato do sistema político, que, com exceção do partido Democratas – lídimo representante do conservadorismo de direita – e das siglas mais à esquerda, como o PSOL, o PSTU e o PCO, mistura todas as propostas numa ação concreta: o exercício do poder.

Os partidos que se preocupam com o crescimento da sigla criada por Kassab fazem uma ação de “guerrilha”, de acordo com o jornalão paulista, atuando no Congresso e junto à Justiça Eleitoral para evitar novas defecções.

Com a possibilidade de aderir a qualquer grupo no poder, o PSD se transforma em grande atrativo para esse tipo de representante do povo cujo objetivo é fazer negócios no mercado do orçamento público. Trata-se de um produto híbrido com grandes possibilidades de ganhar espaço nesse mercado, reduzindo as margens dos partidos já estabelecidos.

A principal preocupação dos concorrentes é ver o PSD abocanhar uma grossa fatia do tempo de exibição no horário de propaganda política, já considerado por eles muito reduzido. A conversa gira em torno do direito da sigla sobre a candidatura, de modo a assegurar para os partidos de origem o tempo destinado aos donos de mandato que migrarem para outra agremiação.

Também não parece haver banditismo explícito nessa disputa, mas o evento serve para demonstrar, mais uma vez, que o Brasil precisa de uma reforma que estimule o surgimento de representações mais autênticas – ou que se mude o sistema, facilitando o protagonismo político pelo próprio cidadão.

Mas essa é uma conversa que não cabe nos jornais.

FLÁVIO DINO, AO CORREIO BRAZILIENSE: "É comum morrer de asma na UTI?"


por Saulo Araújo

Uma sucessão de erros tem chance de ter contribuído para a morte de Marcelo Dino. Um relatório escrito por uma das médicas que atendeu o estudante de 13 anos revela que não  havia profissionais habilitados na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Santa Lúcia quando o garoto passou mal. A Polícia Civil do DF investiga também a falta de aparelhos fundamentais para contornar as crises asmáticas do menino, além de apurar por que Marcelo foi levado, primeiramente para uma UTI adulta, e, horas depois, transferido para  uma unidade pediátrica sem equipamentos adequados para o tratamento.
O filho caçula do presidente do Instituto Brasileiro deTurismo (Embratur) e ex-deputado federal Flávio Dino (PCdoB-MA) morreu há 10 dias, após passar 18 horas internado na unidade de saúde, na 716 Sul. Flávio prestou depoimento ontem na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul).

Ao fim da oitiva, que durou mais de quatro horas, ele conversou com a reportagem, pela primeira vez desde a perda do filho, sobre o trágico episódio que tirou a vida de Peixinho, como Marcelo era conhecido.

“Eles receberam o meu filho vivo e me entregaram morto”, desabafou (leia entrevista). O Correio também teve acesso ao parecer assinado por uma pediatra intensivista. No documento, ela narra desde o momento em que o adolescente chegou ao hospital, pouco depois das 12h, até a hora da morte, às 6h15 (leia fac símile). Num dos trechos, a médica confirma  que estava ausente da UTI na hora em que o estudante começou a apresentar dificuldades para respirar. “Fui chamada pela auxiliar para avaliar o Marcelo devido à queixa de desconforto respiratório”, escreveu.


A profissional ratifica ainda a versão dos parentes, de que o jovem chegou estável e consciente ao centro clínico: “Marcelo se sentia bem até a hora em que foi medicado com  broncodilatadores, usados para controlar doenças que comprometem o aparelho respiratório. “Dormiu bem, mantendo os parâmetros respiratórios, sem desconforto”, atestou.

A partir daí, o quadro clínico se agravou. Os batimentos cardíacos, até então na casa dos 102bpm, baixaram drasticamente. O oxigênio se mantinha em 96%, mas despencou para 60%, minutos depois da aplicação do remédio. A gravidade do caso fez com que mais dois médicos entrassem na sala na tentativa de reanimar o menino, mas nem as sessões de massagens cardíacas, nemas 12 doses de adrenalina foram capazes de salvá-lo.

Marcelo morreu na frente  do pai e da mãe, a professora da Universidade de Brasília (UnB) Deane Maria Fonseca de Castro e Costa, que também prestou esclarecimentos à polícia ontem.

Negligência
O delegado-chefe da 1ª DP, Anderson Espíndola, apura ainda a denúncia de que um aparelho essencial para levar ar aos pulmões de Marcelo estaria danificado e teria sido trocado às pressas. “Todas as informações prestadas pelos familiares que estavam no hospital vão ser confrontadas com a versão apresentada pelos médicos. Se for preciso, vou pedir a ajuda de médicos do CRM (Conselho Regional de Medicina) para entender se a conduta dos profissionais atendeu ao protocolo”, explicou o investigador.

Os três médicos que participaram do atendimento a Marcelo deveriam prestar depoimento ontem à tarde, mas, a pedido do advogado do Hospital Santa Lúcia, as oitivas foram adiadas para a próxima semana. “Não podemos retirar três médicos de uma vez só do hospital. Se isso ocorrer, pode comprometer o tratamento dos pacientes”, justificou Frederico Donati Barbosa.

O defensor negou todas as denúncias feitas por familiares. Sobre a suposta ausência de um médico na UTI, respondeu: “A sala de descanso dos médicos fica ao lado da UTI. A enfermeira não teve de andar o hospital todo para chamá-la. Assim que foi comunicada, ela (a médica) atendeu prontamente o menino”. Os parentes alegam que o socorro demorou mais de cinco minutos.

Frederico garantiu que nenhum aparelho apresentava defeito na UTI, nem houve erro na manipulação dos medicamentos. “Não houve na nenhum problema de falta de pessoal, falta de aparelho ou equipamento danificado”, disse.

A 1ª DP investiga outra morte no Hospital Santa Lúcia por suposta negligência. O Instituto de Medicina Legal (IML) divulgou o resultado parcial do laudo que apura a causa da morte de Marcelo Dino. Nos exames clínicos, os legistas não conseguiram apontar com exatidão o que levou ao óbito do garoto. Outras amostras de fragmentos serão avaliadas em um exame histopatológico, que consiste em observar microscopicamente tecidos de órgãos do paciente, com o intuito de tirar as dúvidas em relação à morte. Esse novo procedimento deve ser concluído em uma semana

Apuração
A 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) investiga a morte de uma fisioterapeuta de 28 anos, ocorrida há cerca de dois meses, também no Hospital Santa Lúcia. Juliana Araújo de Souza deu entrada no centro médico com vômito e diarreia. A família alega ter ocorrido negligência devido à suposta demora no atendimento realizado no fim da noite de 18 de dezembro do ano passado. Por volta das 7h do dia seguinte, ela morreu. Na certidão, a causa da morte foi atestada como “a esclarecer”.

Quatro perguntas para Flávio Dino, presidente da Embratur e pai de Marcelo

Como o senhor tem acompanhado as investigações sobre a morte do seu filho?
Eu só quero que o (Hospital) Santa Lúcia responda a uma pergunta: é comum um garoto de 13 anos morrer de asma dentro de uma UTI? Se eles conseguirem provar por meio de estatísticas ou através da literatura médica que isso é normal, eu me calo. Mas o que eu tenho ouvido de vários profissionais é que o meu filho estaria vivo hoje se os procedimentos adotados fossem corretos. Se o Marcelo tivesse morrido dentro da escola, eu não iria responsabilizar a instituição de ensino, mas, dentro de um hospital e dentro de uma UTI, é inadmissível aceitar que uma criança morra dessa forma. Quero que o hospital,em respeito à memória do meu filho, diga o que ocorreu naquele dia, pois eles receberam o meu filho vivo e me entregaram morto.

O que leva a família a acreditar que houve erro da equipe médica?
Eu não classifico o que ocorreu como erro médico. Eu quero que a polícia investigue se houve um crime ou não. Até agora, o Santa Lúcia não me deu nenhuma explicação. Eles (gestores do hospital) fizeram uma reunião a portas fechadas e depois divulgaram para a imprensa uma nota omissa, que não diz nada. Eu passei o dia anterior inteiro andando de bicicleta com ele. Ele se comportava bem, com saúde. O que ele teve na escola foi uma crise como tantas outras, uma asma leve que sempre foi contornada sem maiores problemas.

O que o senhor viu antes da morte do Marcelo?
Eles aplicaram uma medicação no meu filho e, em seguida, ele começou a ter dificuldades para respirar. A médica demorou a chegar e o meu filho morreu. Sem contar que eles não fizeram a entubação no Marcelo quando ele começou a passar mal e, para piorar, ainda solicitaram material quando ele estava passando mal.

As últimas horas de Marcelo