Rádio Voz do Maranhão

domingo, 31 de outubro de 2021

Familiares de jovens mortos a tiros na zona rural de São Luís realizam protesto no Dia de Finados para cobrar julgamento dos assassinos

Familiares e amigos de três jovens mortos no Coquilho, na zona rural de São Luís, em 3 de janeiro de 2019, realizam manifestação na próxima terça-feira (02/11), para cobrar agilidade no julgamentos dos dois envolvidos.

“Convidados a todos os amigos e moradores da nossa comunidade a participarem de uma manifestação pacífica que se realizará no dia 02/11/2021, às 16h, para mostrarmos para o poder público que não esquecemos o que aconteceu com os nossos jovens, que foram brutalmente assassinados, e que um dos culpados encontra-se foragido”, diz o comunicado.

O ponto de encontro será na Praça Três Amigos, nas proximidades do Centro de Saúde, na Vila Coquilho, sendo que haverá caminhada até o cemitério onde os três jovens foram sepultados.

Os corpos de Gustavo Feitosa Monroe, de 18 anos, Joanderson da Silva Muniz, de 17 anos, e Gildean Castro Silva, de 14 anos, foram encontrados, no fim da manhã do dia 04 de janeiro de 2019, nas proximidades de um residencial do Minha Casa Minha Vida, na região do Coquilho/Mato Grosso, na zona rural de São Luís.

Envolvidos pronunciados a júri popular

Os dois acusados de matar os três jovens, o PM Hamilton Caires Linhares e o vigilante Evilásio Lemos Ribeiro Júnior, foram pronunciados a júri popular, em 23 de julho de 2019, pelo juiz Gilberto de Moura Lima.

O PM Hamilton Caires continua preso, mas o vigilante Evilásio Júnior está em liberdade, com medidas cautelares, e não tem sido localizado para intimação.

Embargos rejeitados

A defesa do policial e do vigilante entrou, no dia 10 de janeiro de 2020, com recurso contra a decisão de pronúncia do titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Gilberto de Moura Lima, de levar a júri popular os dois acusados pela chacina dos três jovens.

Chamado de embargo de declaração, o recurso pedia que fosse anulada a decisão do juiz Gilberto de Moura Lima.

Como os embargos foram rejeitados, falta definir a data do julgamento no tribunal do júri. O que estaria dificultando é a não localização do vigilante Evilásio Júnior. Ele teria sido visto pela última vez em Matinha.

O advogado dele apresentou endereço para intimação, mas o comprovante ficou ilegível. Ele foi intimado para atualizar em até cinco dias. Depois disso, será expedida intimação por edital. Em caso de não localização, poderá ser decretada a prisão de Evilásio, por descumprimento de medidas cautelares.

A denúncia do Ministério Público

Segundo a denúncia do Ministério Público, no dia do crime, os três adolescentes saíram de casa, em duas bicicletas, para a localidade conhecida como "Romão", área de banho e pesca. A estrada de acesso estava localizada dentro da construção do Residencial Mato Grosso, empreendimento da Caixa Econômica, do programa do Governo Federal "Minha Casa, Minha Vida".

Por volta das 14h, as vítimas foram avistadas por um dos seguranças da empresa Ostensiva, que avisou aos seus companheiros de serviço a possível entrada de invasores.

Alguns vigilantes e o policial militar Hamilton Caíres Linhares, contratado extraoficialmente pelo dono da empresa para dar suporte de segurança, foram em direção ao local em que os adolescentes estariam.

Ainda, de acordo com a denúncia, os vigilantes foram se dispersando pelo caminho e, conforme o depoimento dos próprios denunciados, eles dois chegaram à entrada do matagal em que os corpos foram encontrados. Consta nos autos que Hamilton Caires Linhares e Evilásio Lemos renderam os jovens, sendo que o militar estava armado.

De acordo com o Laudo em Local de Morte Violenta, pela posição em que os corpos foram encontrados, a primeira vítima estaria em pé ou de joelhos quando o disparo foi efetuado; e a segunda e terceira estavam deitadas com uma das mãos na cabeça quando foram alvejadas, sendo que o projétil atravessou a mão e entrou na cabeça, ficando alojado. O órgão ministerial acusou Hamilton Caíres de ter efetuado os disparos e Evilásio Lemos, de atuar na rendição dos três rapazes.

Os corpos e duas bicicletas somente foram encontrados no dia seguinte, quando os familiares sentiram falta dos jovens e saíram em buscas nas imediações da estrada do "Romão", junto com outros moradores, encontrando um óculos na trilha que dava acesso ao local, depois comprovado que pertencia a Evilásio Lemos.

Depoimentos

Ao ser interrogado, o vigilante negou a autoria do crime, confessando, em seu primeiro depoimento, que esteve na entrada do matagal com o policial, mas não entrou no local, e ouviu três disparos de arma de fogo. No segundo depoimento, ele disse que entrou depois do militar e, como não mais avistou o PM e as vítimas, voltou para a motocicleta.

Já Hamilton Caires negou qualquer envolvimento no delito e disse que apenas desferiu um tiro para cima para assustar os supostos invasores, dizendo que nem chegou a vê-los. Quando foi solicitado que entregasse sua arma para realização de exame de comparação balística com os projéteis retirados dos corpos e do local do crime, ele disse que perdera a arma, estojo e carregador, no mês de outubro de 2018, embora não tenha noticiado o fato à corporação policial.

Na decisão de pronúncia o juiz Gilberto de Moura Lima afirma que há divergências entre as versões apresentadas pelos acusados e as testemunhas, competindo ao tribunal popular apreciar as versões. “Diante da existência de indícios de autoria e participação, assim como demonstrada a materialidade dos fatos, preenchesse, pois, os requisitos de admissibilidade da acusação em relação a todos os acusados”, acrescenta o magistrado.



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2 comentários:

  1. Gente ninguém vence o ESTADO...esse caso e o caso do Marcelo que foi encontrado morto está SEMANA...NÃO VAI TER NADA ...LOGO...LOGO TODOS OS POLICIAIS MILITARES ENVOLVIDOS VÃO ESTÁ NAS RUAS,FAZENDO ATÉ PIOR...SEMPRE FALO NINGUÉM VENCE O ESTADO...É A REALIDADE NO BRASIL INTEIRO.

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  2. Essas famílias eram pra ser indenizadas pelo prejuízo que tiveram por conta do estado ...mais a nível de Maranhão é muito improvável que isso aconteça...o estado alega logo desvio de conduta por parte das vítimas,impossível vencer o ESTADO...ainda mais se tratando de Maranhão.

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